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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Everyday is like sunday...

"Amanhã vai chegar de verdade?

E se chegar mesmo, eu ainda serei humano?
Tudo o que peço a você é algo que você nunca faz 

Você poderia me abraçar? Eu não vou contar para ninguém
Amanhã tem mesmo que chegar? (...)

Tudo o que peço a você

É: você diria que me ama? 
Me diga, me diga que me ama..."


Neste momento estou me sentindo melhor. Aceitando um pouco mais as coisas. Ontem tive uma crise. Eu estava sozinha em casa a tarde e liguei pro Axl dizendo que ia dormir na casa dele, porque hoje (segunda) era minha folga. Daí ele atendeu o telefone hiper grosso comigo porque a merda do time dele estava perdendo. Aquilo já bastou. Fiz novas marcas na coxa esquerda e chorei muito questionando minha existência. Depois ele ligou e disse que viria pra cá... e realmente veio. Quando ele chegou eu permaneci fria, como sempre faço e depois passamos momentos ótimos, assistindo filme e conversando sobre a vida e como as pessoas são engraçadas. Isso me deixou um pouco melhor. Mas ele a todo momento me lembrando de como eu deveria me cuidar mais e etc e tal. Ele inventou uma história de que ia trabalhar no Sul, depois disse que era mentira e que ele só queria ver minha reação. Eu disse que morreria se ele fosse embora e disse que ele estava arrumando um pretexto pra se livrar de mim e que ele podia ir embora se ele quisesse, mas que realmente ele não me veria mais, não nessa vida. Ele não disse nada contrário a me deixar. Pra mim, quem cala consente. Não posso ficar longe dele, de forma alguma.

Minha mãe continua me comparando com minha irmã, porque ela trabalha pra caralho e o escambau, e o namorido dela também fez não sei que porra. Disse a ela em alto e bom som: "Foda-se, eu não sou a N. " Não aguento mais trabalhar de fim de semana, é um inferno, gosto da minha particularidade, de fazer minhas coisas nos meus horários. Está terrível continuar a vida assim. Pra minha mãe a única forma de ser feliz é tendo dinheiro. E na real não é... não vou ser hipócrita, dinheiro é bom para suprir nossas necessidades, mas meu amigo, se você deixar o dinheiro dominar, você acaba esquecendo as pessoas importantes da tua vida. Não quero trabalhar a ponto de ficar sem ver as pessoas que eu gosto. Quero trabalhar num lugar que me de condições de usufruir da minha família, namorado etc.

Agora estou ouvindo Morrissey, tentando esquivar minha mente de lembrar que amanhã terei que ir praquele trabalho muito chato. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Did you care?

"E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros 
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quieto. Isso passa.
Amanhã é outro dia, não é?

Eu nem sei por quê me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim."

'"Mas ninguém se importa com você", essas são mais algumas palavras que ficarão gravadas na minha mente. Não dá pra simplesmente fingir que nada aconteceu. Minha própria mãe, que deveria ter percebido meu sofrimento, me dado atenção, me dado apoio no tratamento me disse isso. É, ela não se importa, se ela que me deu a luz que me criou não se importa quem vai se importar? A quem devo recorrer? Quem faria o menor sacrifício por mim? Me sinto cada vez mais só, mais perdida, não posso contar com ninguém e está praticamente impossivel continuar a vida sozinha. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sequência de tédio...


Estou me sentindo cansada. Aliás, estou me sentindo exausta. Existem muitas coisas que não consigo entender e sinto muita falta das pessoas que estão ao meu lado. É como se, na maioria das vezes, as pessoas que convivo não me percebessem. Estou tendo compulsões alimentares, estou comendo sem fome, estou passando mal e não consigo parar. Preciso dos meus remédios, preciso de um abraço, de um apoio. As pessoas são sempre injustas, eu as ajudo e eles não retribuem em nada o que eu faço por elas. Estou sempre me colocando em segundo plano e quando quero pensar ao menos uma vez em mim mesma, sou a ruim da historia, a individualista, egoísta e bla bla bla. Julgamentos atrás de julgamentos.
Meu album da formatura chegou, antes tivesse sido extraviado. Minha mãe e o Axl disseram que meu cabelo não ficou legal, como se o resto tivesse ficado. Sei que não há nenhum motivo para que eles me achem bonita...  
“É muito difícil para mim explicar como me sinto e como me sentia. Os sentimentos realmente me avassalam. Houve vezes em que senti como se fosse explodir por causa dos sentimentos. Era como se minha pele fosse mover-se lentamente e eu me sentia como se tivesse sido apanhada numa armadilha. Eu sentia vontade de gritar ou fazer alguma coisa para aliviar os sentimentos. Eu geralmente escolhia me queimar ou cortar. Isto era um alívio para mim [...] O ato de mutilar-se é uma coisa muito poderosa. Mais do que controle, lhe dá uma sensação de existir. Você vê o sangue ou a carne queimada e você sabe que você é real.

Eu me lembro de me queimar uma vez quando estava me sentindo rejeitada e muito sozinha. Senti uma dor intensa e muito avassaladora por dentro, nas entranhas. A dor era emocional, não física. [...] Eu me senti como se estivesse no espaço, fora de mim. Assim era como eu sempre me sentia quando me feria. Estava entorpecida a ponto de sentir-me fora do meu corpo. É como quando você está sonhando. Você vê a si mesmo do lado de fora e tudo o que está se passando daquele ponto de vista. Eu me sentia muito leve, como se não tivesse peso. [...] Talvez a mutilação física tenha me permitido focalizar minha atenção do lado externo ao invés de na dor interna.
[...] Eu me sentia deprimida a maior parte do tempo. Às vezes senti que não podia prosseguir com a vida. Não é que houvesse algo tão errado com a minha vida, mas tinha algo faltando. É como se houvesse um enorme buraco dentro de mim. Às vezes quando estou sozinha consigo senti-lo — o vazio dentro de mim. Não há nada lá. Tentei muitas coisas para preencher este vácuo — comidas, álcool, drogas, sexo, relacionamentos —, mas nenhuma destas coisas o fez ir embora. Eu quero tanto me sentir inteira, mas eu simplesmente não consigo.”

domingo, 15 de abril de 2012

Queria ser como você, facilmente entretido...


"Estou tão só, mas tudo bem, raspei o cabeloE não estou tristeE talvez eu seja o culpado por tudo o que ouviMas não tenho certezaEstou tão empolgado, mal posso esperar para te encontrar láMas não me importo"

Minha vida tem sido cada dia mais difícil, fui diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline (Limitrofe). È como estar em cima de uma linha tênue entre a sanidade e a loucura. Não é fácil tratar mal as pessoas que você ama e se sentir abandonada a todo instante como se o mundo fosse acabar de dentro pra fora. Desde os meus 12 anos pratico auto-mutilação, me corto sempre que passo por uma alto nível de estresse, mas muitas vezes esse estresse é imaginário, por isso as pessoas não entendem boa parte do que acontece comigo, porque tudo se passa dentro de mim... quase nada é real, nenhuma atitude minha tem muita explicação. Os motivos que me levam a alteração de humor são sempre os mesmo, o medo de estar só, de não ter mais ninguém. Eu era Ana/mia, hoje sou obesa. Não sou aceita em nada. Essa é a forma como eu me sinto, as pessoas sempre estão falando de mim, me olhando, me julgando. Acho que ninguém sabe o quão triste é quando você começa a criar na sua mente coisas que não existem e sofre por elas a ponto de querer se machucar. Sou culpada. Não afeto somente a mim mesma, machuco as pessoas ao meu redor, torno a vida delas um eterno jogo emocional. O Axl, não me aguenta mais, percebo claramente que o sentimento dele é dó. Embora ele esteja sempre ao meu lado, ele diz abertamente que isso não é doença, é manha, preguiça, falta de vergonha. Não é. Eu o amo com toda a minha vida e sou completamente dependente dele, embora não demonstre. Se ele diz que não pode me ver, para mim é o grande motivo para perder a noite chorando e me mutilando. Meu corpo não o agrada mais e eu não consigo encontrar um motivo plausível da parte dele para que continuemos juntos, mesmo assim minha vida sem ele não faz sentido algum.

Meus pais não sabem. Não quero trazer preocupações a eles. Talvez eles se afastem mais e me deixem. Parei o tratamento porque sai do emprego que tinha plano de saúde, agora não sei o que vou fazer. Cada dia é uma luta contra mim mesma, nunca sei qual será minha reação, posso até estar mostrando calma no meu rosto, mas por dentro há uma guerra. Uma guerra de sentimentos, Posso estar contente neste instante, mas isso não é garantia que no próximo minuto eu permaneça assim.

O que começou apenas como as confissões de uma Ana mia terminaram em uma doença psicológica que está afetando todas as áreas da minha vida. Até no trabalho, pois meus objetivos e metas são alterados a todo momento, ou seja eu nunca sei o que eu realmente quero, o que eu gosto, o que me faz bem. Só tenho medo do abandono, da rejeição.

Esse é o transtorno de personalidade mais difícil de ser tratado, alias o seu tratamento é praticamente inexistente, por mais que se façam terapias e mais terapias, o borderline será para sempre borderline.


Aqui eu inicio não só as minhas confissões de T.A, mas também as de T.P.B.