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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Até que um dia, ao acordar, descobri que não tinha como fugir.

Acredito estar indo bem. Estou de LF e já perdi um kilo desde ontem, ia comer meia maçã agora , mas achei que era muito e joguei metade fora. Minha vida não tah muito diferente. Vou fugir da comida o maximo que puder. No domingo vou conhecer a familia do meu namorado e vai ter churrasco na casa dele, nem sei o que vou fazer pra naum comer. Vai ser uma tremenda desfeita.Mas...
Ando com muitas dores decabeça, muitas dores no corpo e um cansaço tremendo, mas eu jah disse que to pronta pra sofrer o que vier, tudo tem seu preço e tudo o que eu mais quero na minha vida é ser magra, custe o que custar. (y'

domingo, 10 de maio de 2009

'como se o inferno existisse, e ela fosse encontrá-lo'

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Então eu atravessei o espelho e entrei no mundo subterrâneo, onde para cima é para baixo e comida é pecado, onde espelhos convexos cobrem as paredes, onde morte é honra e carne é fraqueza. Aonde é muito fácil ir. Mais difícil é encontrar o caminho de volta."
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"Minha lembrança do começo da vida vai e vem do concreto à separação do corpo e da mente, de uma lembrança do cheiro do perfume da minha avó a outra de bater em meu próprio rosto por me achar gorda e feia, vendo a marca aver­melhada da minha mão, mas não sentindo a dor. Não me lembro de muitas coisas de dentro para fora. Não lembro de como era a sensação de tocar em coisas, ou de como a água do banho passeava pela minha pele. Eu não gostava de ser tocada, mas era um desgostar estranho. Eu não gostava de ser to­cada por querer muito ser tocada. Queria ser abraçada bem aper­tado para não despedaçar. Mesmo hoje, quando as pessoas se aproximam para me tocar ou me abraçar ou pôr uma mão no meu ombro, eu prendo a respiração. Viro o rosto. Tenho vontade de chorar.
Eu lembro do corpo de fora para dentro. Fico triste quando penso nisso, em odiar tanto aquele corpo. Era apenas o corpo de uma típica menininha, roliço e saudável, dada a subir em árvores, a ficar nua, às fomes da carne. Lembro de querer. E lembro de me sentir ao mesmo tempo com medo e envergonhada por querer. Tinha a impressão de que o anseio era só meu e que a culpa resultante dele também era apenas minha."
(...)
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Quando criança, eu estava sempre vagamente nervosa, co­mo se alguma coisa estivesse se aproximando sorrateiramente, alguma coisa sombria e ameaçadora, algum lugar mais profundo na água, um lugar silencioso e frio. Eu tinha medo que o xá do Irã estivesse debaixo da minha cama esperando para me raptar e me levar embora. Eu tinha um medo absolutamente terrível do escuro e dos meus sonhos com o tenebroso bicho-papão, que me seqüestrava à noite, enquanto eu dormia. As pessoas me deixavam nervosa. Eu preferia ficar no meu quarto com a porta bem fechada, a cômoda encostada nela (era uma cômoda muito leve) e enroscada no canto da cama com um livro."
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"Eu não era o que meus pais esperavam que eu fosse. Meu pai esperava, ou ao menos torcia para isso, um filho que o adorasse e fizesse com que ele se sentisse necessário, que também continuaria sendo criança, eternamente, amém. Minha mãe, por outro lado, esperava um adulto em miniatura."
(...)
"Aprendi isso muito cedo. Eu não era o que aparentava ser. Gos­tava disso. Eu era uma mágica. Ninguém podia ver o que eu escondia por baixo, e eu não queria que vissem, porque o que eu escondia parecia ferido. Excessivamente quente e vermelho."
Dissipada: Memórias de uma anoréxica e bulímica
(
Marya Hornbacher)


Hoje não da pra me sentir bem, e enquanto eu não me sentir morrendo , não estarei bem. Por favor anna, me faça magra e não me abandone, nunca mais.
Que comece a partida. Estou pronta pra jogar. (y'