Eu estou tentando, eu juro. Mas eu só não consigo me sentir bem. Não hoje. E acho que amanhã também não. Fazem dias que minha cabeça dói. Talvez semanas. Não consigo me lembrar. Não consigo associar os dias e não faz diferença se está amanhecendo ou não. Acho que estou em crise. Eu peguei dois hamburgueres do congelador, porque eu estava faminta, eu queria dizer pra minha mãe, não se preocupe eu vou vomitar em seguida e essa gordura não ficará em mim. E então, eu comecei a chorar, joguei os hamburgueres na porta do congelador e me enrolei em minha cama como uma bola. Eu não sei quanto tempo se passou, eu não sei quanto tempo eu permaneci chorando com as mãos na parede. Eu estava sem forças psicológicas para me levantar. Mas eu tinha uma porção de coisas para fazer. E eu as fiz, chorando, lamentando cada segundo da minha existência, cada milimetro desta banha infinita. Eu sei que não devemos lamentar, pois as coisas só pioram, mas não me diga isso, não hoje. Eu desejo ser magra, mais do que eu desejo respirar.
“Caminhe a uma cabine de bronzeamento e frite a si mesmo por dois ou três dias. Depois que suas bolhas na pele descascarem, role em sal grosso, em seguida puxe sua roupa de baixo de tecido longo em vidro fiado e arame farpado. Depois vista suas roupas normais, desde que elas estejam apertadas.
Fume pólvora e vá à escola para saltar através de aros, sentar-se e implorar, e rolar através do comando. Ouça os sussurros que envolvem sua cabeça durante a noite, chamando-te de feia e gorda e estúpida e vadia e puta e o pior de todos – uma decepção. Vomite e passe fome e corte e beba porque você não quer sentir nada disso. Vomite e passe fome e corte e beba porque você precisa de um anestésico e ele funciona. Por um tempo. Mas, depois o anestésico se transforma em veneno e aí já é tarde demais, porque você o está injetando agora, direto para sua alma. Ele está apodrecendo e você não pode parar.
Olhe-se num espelho e encontre um fantasma. Ouça cada batida de coração cada coisinha está errada com você.”